Ainda a Ler | “Elizabeth is Missing” de Emma Healey

Ufa, que este livro é daqueles que custa a ler. Parece tão inofensivo não é? A capa bonitinha, uma senhora idosa com Alzheimer que está à procura da sua amiga Elizabeth que desapareceu misteriosamente. E apenas Maud pode resolver o mistério.

Entre saltos entre o passado e o presente, a história constrói-se mas são precisamente estes saltos que me estão a dificultar a leitura! Não porque há um movimento no tempo em si, mas porque esse salto no tempo é feito no meio do presente e não, por exemplo, capítulo a capítulo. Suponho que é conforme Maud se vai lembrando do passado no presente?

O livro é pequeno e eu nem a meio vou. Mas já tinha comentado isto antes…

A senhora é chatinha, sim, mas cheguei a uma parte do livro em que já me “irrito” e começo a querer saber também onde se enfiou a Elizabeth – tenho uma teoria até e só quero confirmá-la. Ou se calhar estou a achar tudo tão óbvio que no fim vou ficar surpreendida por não ser nada do que estou a pensar.

 

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Março Feminino | Wrap-Up De Filmes e Livros

Foi uma experiência interessante e um desafio este Março Feminino!

Para além de ver filmes que, provavelmente, nunca iria ver na vida gostei da experiência da pesquisa por filmes realizados por mulheres – e encontrei uma favorita (Karyn Kusama já não se livra de mim).

Livros

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  • Asleep de Banana Yoshimoto
  • Elizabeth is Missing de Emma Healley
  • Sombras Queimadas de Kamila Shamsie

Com muita pena minha não consegui terminar o Elizabeth Is Missing nem começar a ler o Sombras Queimadas da Kamila Shamsie. Provavelmente lerei depois de terminar o livro da Elizabeth, já que estava para o ler logo de seguida.

Filmes

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Para ver a opinião é só carregar no nome dos filmes (^_^)v

Obrigada ao blog Say Hello To My Books pelo desafio! 🙂

Problemas em ler | Sou só eu?

Com o mês de Março pensei que ia encarreirar e conseguir ler mais livros do que aquilo que ando a ler. Sabem que mais? Não.

Até me entusiasmei pelo Março Feminino mas só estou virada para filmes por ser mais fácil de chegar ao final da história.

Neste momento estou a ler Elizabeth is Missing da Emma Healey e sei que o problema não é do livro mas meu. Não sou capaz de me sentar e ler. Ou é o barulho na rua, ou o barulho em casa, ou não estou no mood, ou a minha mente começa a vaguear quando pego no livro e tenho de reler duas páginas. Depois não paro de pensar em certas situações que ocorrem na minha vida, começo a ficar obcecada com isso e sinto-me mal por ler.

E eu que queria ainda ler o Sombras Queimadas  da Kamila Shamsie que comprei o ano passado na Feira do Livro de Lisboa. Tão inocente que eu era no início de Março, a pensar que ia mudar alguma coisa.

Até criei um monthly tracker para ver o que fazia e não fazia durante o dia. Criei objectivos, tentei alcançá-los e cansei-me.

Alguma dica?

Livros Que Abandonei a Meio | A Lista Da Vergonha

Sim, eu já abandonei livros a meio (ou a menos de meio) e eu gosto de lhe chamar a minha “Lista da Vergonha” ou os “Livros Não-Líveis” – não “ilegível” porque isso é outra coisa para mim.

Abandonei estes livros por diversas razões. Alguns deles apenas os coloquei em stand-by por motivos de tempo e/ou paciência para os ler – por vezes não é o momento de ler aquele livro que tanto queríamos ler.

Vamos lá às listas da minha vergonha (das quais não sinto vergonha nenhuma!):

– Livros que (provavelmente) não vou voltar a pegar –

Vinte Mil Léguas Submarinas de Júlio Verne

Vinte Mil Léguas Submarinas

É isso. Não fui capaz de passar muito das primeiras 20-30 páginas. Será que foi a tradução? Foi o estilo de escrita? Sinceramente não me lembro porque parei de o ler por volta de 2012 e em inícios de 2013 decidi que não conseguia continuar com ele. Mais tarde comecei a ler outro livro de Júlio Verne mas em inglês, “From the Earth to the Moon” e também desisti nas primeiras páginas. Talvez não seja para mim, ou simplesmente não estou preparada para este autor.

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Nicholas Nickleby de Charles Dickens

Nicholas Nickleby

Se passei das primeiras 20 páginas foi muito. Comecei o livro em inglês e exactamente com a edição da qual deixei aqui a imagem. Para além disso, o livro é enorme e isso diminuiu a minha vontade de o ler, para não falar da letra miudinha com que está escrito. Achei a escrita complicada na altura – foi em 2013 que o comecei a ler mas logo desisti.

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Opinião | “Asleep” de Banana Yoshimoto


Autor: 
Banana Yoshimoto
Editora: faber and faber | Edições em Português: Cavalo-de-Ferro
Classificação: 3,5/5 *

Foi o primeiro livro que li de Banana Yoshimoto, pseudónimo da escritora japonesa Mahoko Yoshimoto. Foi-me oferecido pelo meu namorado, uma vez que ele sabia que eu queria muito ler um livro de Yoshimoto e também este título em particular.

O livro reúne três pequenas histórias cujos protagonistas são três mulheres: Shibumi, Fumi e Terako. Há um ponto em comum com todas estas mulheres: todas elas perderam alguém querido e lidam com essa perda através do sono.

Na primeira história, “Night and Night’s Travelers”, que poderia ser traduzido como “A noite e os viajantes da noite”, Shibumi perde o seu irmão depois de este se ter apaixonado por uma rapariga americana chamada Sarah, ter viajado com ela para Boston e, quando volta de coração partido para o Japão, morre sem razão aparente. Entretanto Mari, a prima dos dois irmãos confessa que sempre se sentiu atraída pelo primo. Conta-se então a relação de Shibumi com Mari e como as duas lidam com a perda de alguém que amam profundamente. Há um quê de paranormal, um clima mais esotérico no final do conto que é se calhar o que faz esta história interessante. Para mim, foi a mais fraca das três – quase como se a autora nos quisesse fazer adormecer também enquanto a lemos.

Na segunda história, “Love Songs”, traduzido para português seria “Canções de Amor”, temos Fumi que trava uma batalha contra o álcool e, cada vez que se embebeda e está prestes a adormecer, ouve uma música familiar e recorda-se da sua amiga Haru. Esta sua “amiga” foi sua companheira de casa em conjunto com o homem pelas quais as duas estavam apaixonadas – sim, moravam os três juntos e as duas mulheres não se suportavam. Até que Fumi descobre que Haru morreu e não é capaz de lidar com essa perda. Mais uma vez, há um toque de paranormal na história que a eleva a outro nível, muito mais profundo e elegantemente mórbido, no bom sentido. É uma história poderosa sobre a relação que existia entre Fumi e Haru enquanto lutavam pelo amor de um homem que, para dizer a verdade, parecia nem querer saber de uma nem de outra, mas que alimentava o amor que ambas sentiam por ele continuando a viver com as duas na mesma casa. Uma história bonita pelo seu tema em si e em como, por vezes, não nos queremos realmente “desfazer” de alguém, por mais que a odiemos.

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Opinião | “Ouve a Canção do Vento/Flíper, 1973” de Haruki Murakami

Autor: Haruki Murakami
Editora: Casa das Letras (Grupo Leya)
Classificação: 5/5 *

Tinha começado a ler o livro há uns bons 3 anos mas parei e não me lembro porquê. Talvez porque era a versão digital do livro e me cansei?

Quando peguei no livro sabia o que ia encontrar, ou pensava eu que sabia. Foi o primeiro livro do mestre Murakami com o qual ele nunca sonhou vir a ser aquilo que é hoje para milhões de pessoas em todo o mundo: um escritor de culto.

Neste livro, que na realidade são dois, somos capazes de ver o que ia na cabeça do jovem Murakami e a ideia que este tem de livro. Nota-se que queria inovar e notam-se que a música já fazia uma grande parte da sua vida. Em todo o livro conseguimos ouvir as melodias que este evoca. Somos capazes de sentir as sonoridades mesmo sem as ouvir. Mesmo no silêncio, as suas palavras são harmonizadas e tocam uma música só delas.
Murakami leva-nos para outro mundo, que é Yamanote, mas que não é o mundo que estamos habituados a ver.

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Opinião: “A Incrível Viagem do Faquir que Ficou Fechado Num Armário Ikea” de Romain Puértolas

imageAutor: Romain Puértolas
Editora: Porto Editora
Classificação: 5/5 *

Comprei este livro porque o título me chamou à atenção. Muito pouco sabia ao que ia. Ainda bem que o comprei, ainda bem que o li.

Depois das primeiras páginas, caí no “erro” de ler por alto algumas opiniões sobre o livro no Goodreads. Ouvi dizer que este livro era racista, que não mostrava respeito pelos clandestinos que tentam a sua sorte por uma vida melhor na nossa querida Europa e que gozava com a situação.

Não vejo o racismo neste livro. Vejo um abre-olhos para a situação da clandestinidade. Vejo que tenta fomentar a empatia para com estas pessoas.
Coloquem este assunto num livro que fale directamente sobre a emigração ilegal e esperem que o livro ganhe pó nas estantes das livrarias.
Do início ao fim senti uma evolução no livro mas principalmente no autor. O que começou, a meu  ver, por ser uma brincadeira e tentativa de satirizar a situação insólita que é um Rajastanês viajar de propósito da Índia até França apenas para comprar o último modelo de cama de pregos no IKEA, e no fim acaba por visitar a vida de todos aqueles que o faquir encontra durante o seu caminho.

Romain Puértolas faz um trabalho fantástico na abordagem deste tema. Um livro que me marcou muito e arrisco-me a dizer que foi a melhor leitura que fiz em 2016.