No Cinema | “Ghost in the Shell – Agente do Futuro”

GhossdaserRealizador: Rupert Sanders
Argumento: Jamie Moss, William Wheeler, Ehren Kruger Masamune Shirow
Com: Scarlett Johansson, Pilow Asbæk, Takeshi Kitano, Juliette Binoche, Michael Pitt, Chin Han, Lasarus Ratuere, Yutaka Izumihara, Peter Ferdinando, Anamaria Marinca
Género: Acção, Crime, Drama

Uma sociedade num futuro próximo está viciada nos aperfeiçoamentos corporais recorrentes às máquinas – 75% da população mundial já se rendeu ao aperfeiçoamento corporal e já não são totalmente humanos, pelo que têm partes completas do corpo não-orgânicas.
Major é a primeira da sua espécie: uma humana salva após um grave acidente tem o seu cérebro transplantado para um corpo todo ele ciborgue. Quando o terrorismo chega ao nível de ser possível hackear e controlar o cérebro de uma pessoa, Major é a única qualificada para fazer parar o aumento de crimes deste género. Mas Major descobre que toda a sua vida depois do transplante se trata de uma mentira: a sua vida não foi salva mas sim roubada pela empresa para a qual trabalha. Nada parará Major de chegar à verdade, recuperar o seu passado e vingar-se de quem lhe fez isto e tentará que mais ninguém sofra o mesmo que ela sofreu.
O filme é baseado no manga japonês Kôkaku Kidôtai (Ghost in the Shell),  escrito por Masamune Shirow.

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Um filme que tinha na minha lista de filmes para ver este ano mas que ficou aquém das minhas expectativas. Não vi os filmes originais nem li o manga japonês no qual é baseado. Fui completamente às cegas para o filme, tendo apenas visto os trailers disponíveis.

Não quis ler grande coisa acerca do universo de Ghost in the Shell mas, do pouco que li, parece muito complexo e muito mais do que aquilo que surge no filme. A filosofia deste é bastante controversa, principalmente nos dias de hoje: o que é exactamente um ser humano numa sociedade onde o cérebro pode ser recolocado num corpo totalmente robótico?

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Confesso que não entendia ao que o título fazia referência – Ghost in the Shell, “Fantasma na Concha”? – mas isso é colocado à frente dos nossos olhos logo no início do filme, onde podemos ver vagamente o processo do transplante do cérebro de Major para o seu corpo ciborgue. Vemos então a transferência daquilo que é a alma, o fantasma, do ser humano para um corpo “falso”. É um conceito deveras interessante.

O primeiro impacto que tive em relação ao que toca à cinematografia foi as parecenças inquestionáveis com o universo Matrix que, soube à posteriori, foi baseado no universo de Ghost in the Shell! Wow! As cenas em câmara lenta de Major (Scarlett Johansson) ao início, a sua visão computorizada e capaz de ver a energia/electricidade de tudo o que a rodeia, remonta muito para os códigos que podemos ver em todos os filmes da trilogia Matrix. Nota-se que houve muito trabalho para conseguir captar o ambiente do Ghost in the Shell principalmente no que toca à metrópole altamente avançada em termos tecnológicos mas decadente e deprimente no que toca à humanidade como a conhecemos hoje em dia.

Um pormenor que me chamou à atenção foi a importância dada ao papel da Rila Fukushima antes da saída do filme – pessoalmente, ouvi falar muito da presença dela neste filme – mas sejamos sinceros… O seu papel foi quase nulo. Aquela gueixa vestida de vermelho que queima um dos donos da Hanka com chá é Rila Fukushima. Não fala e se aparecer no ecrã mais de 30 segundos é muito. O que se passou para darem destaque à actriz no filme? Realmente não entendi.

Gostei muito de Scarlett Johansson no papel de Major. Embora tenha havido uma polémica racial onde Hollywood foi acusado de “whitewashing”, que é a tentativa de usar actores caucasianos em detrimento de actores com as etnias dos personagens principais (neste caso o público esperava uma actriz asiática para o papel de Major), não penso que tenha havido qualquer racismo. Johansson disse numa entrevista sobre o filme que Major não tem identidade, visto que é um cérebro dentro de um corpo ciborgue. Eu concordo com o que esta diz e nem me questionei sobre a etnia de Major porque sabia, de antemão, que o seu corpo não seria o original e não esperaria que lhe atribuíssem uma etnia de acordo com o seu antigo corpo. É simplesmente um corpo. À baila também veio a questão da mudança de nome de Makoto para Major – tal mudança foi feita para apelar ao público que não se sente atraído por manga/anime – mas no final do filme, o seu verdadeiro nome é revelado.

No geral, o filme entretém mas não foi muito o que eu esperava. É bastante dentro do “normal” no que toca à história e temos a polémica do “quando se deixa de ser ser humano?” para ajudar o espectador a sentir mais compaixão para com Major mas os efeitos especiais, a banda sonora e os papéis bem interpretados pelos actores compensam o resto.

Classificação: 6/10name

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