Opinião | “XX”

MV5BM2U5NzlhMGYtODUzOS00Nzk0LWE1YTYtZDE0YzMwMzI0ODJlXkEyXkFqcGdeQXVyNjY0MjcwODM@._V1_SY1000_CR0,0,679,1000_AL_Realização: Jovanka Vuckovic, Annie Clark, Roxanne Benjamin, Karyn Kusama
Argumento: Jovanka Vuckovic, Jack Ketchum, Annie Clark, Roxanne Benjamin, Karyn Kusama
Com:  Natalie Brown, Jonathan Watton, Peter DaCunha, Peyton Kennedy, Ron Lea, Michael Dyson, Melanie Lynksey, Seth Duhame, Sanai Victoria, Sheila Vand, Lindsay Burdge, Casey Adams, Breeda Wool, Angela Trimbur, Morgan Krantz, Christina Kirk, Kyle Allen
Género: Terror

Uma antologia de quatro pequenos filmes de terror realizados por mulheres e onde todos os protagonistas são mulheres. Foi dada toda a liberdade às realizadoras para criarem o que quisessem, quer em termos de tempo como de dinheiro para a realização dos seus segmentos, com uma única limitação: todos os segmentos têm de envolver terror.

O(s) filme(s) em si não são para todos. Tem um ambiente muito independente e alguns amantes de terror poderão sentir-se perturbados com isso.

No primeiro segmento chamado “The Box“, de Jovanka Vuckovic, é-nos introduzido um homem que viaja de metro e, ao seu lado, está Susan (Natalie Brown) e os seus dois filhos. O seu filho pergunta ao homem, sem nome mas muito bem interpretado por Michael Dyson embora seja um pequeno papel, o que está dentro da caixa. O homem diz que é um presente e deixa o rapaz espreitar. Este mostra-se um tanto perturbado com o que vê mas não comenta. A partir desse momento, toda a vida da família começa a mudar: o filho deixa de comer durante quase uma semana e é levado ao médico. O rapaz mostra-se apático e não mostra o mínimo de emoções quando confrontado com a ideia de poder morrer de fome. Mais tarde, o rapaz fala com a irmã e esta deixa também de comer e acaba também por falar com o pai acerca disso. Toda a família deixa de comer, emagrecendo e ficando extremamente anorécticos. Não se chega a saber ao certo o que está dentro da caixa, mas Susan procura o homem por todo o lado no metro, inclusive na paragem onde este saiu e por lá continua.

É uma história muito bem conseguida, realizada por Vuckevic e escrita também por Jack Ketchum. É intrigante e tem algumas cenas mais macabras mas que não deixam de ser interessantes.

No segundo segmento chamado “The Birthday Party“, realizado por Roxanne Benjamin e Annie Clark, somos introduzidos a uma mulher que vive nos subúrbios, numa casa moderna, com empregada – uma boa vida! É o aniversário da sua filha adoptiva e tudo tem de estar pronto dentro de uma hora para a festa da pequena. Mas tudo naquela casa é estranho: a empregada tem um ar macabro, tem o que é suposto ser o seu gato, já falecido, embalsamado num móvel da sala e ao qual dá os bons dias todos os dias… É, bastante estranho e suponho que ninguém se sentiria à vontade naquela casa – talvez uma crítica às famílias ricas dos subúrbios e às suas excentricidades?

Mary encontra então o seu marido morto no escritório e faz de tudo para se livrar do corpo deste antes de começar a festa de aniversário. Levando a situação ao extremo, veste-lhe o fato do rapaz que deveria animar a festa – oferece-lhe 1000 dólares em troca do fato apenas para esconder o marido! Será que se sai bem depois disto?

Na minha humilde opinião, este foi o segmento mais fraco em termos e história… Mas se tivermos em conta o terror que é para Mary estragar a festa de aniversário da sua filha com a morte do seu pai, percebemos onde está o terror. É uma história um tanto hilariante porque ninguém se lembra de encontrar o marido morto e o enfiar num fato para fingir que é um boneco.

No terceiro segmento chamado “Don’t Fall“, realizado por Roxanne Benjamin, temos uma história típica de adolescentes que vão de férias à aventura pelos montes e vales desertos dos Estados Unidos. Dois rapazes e duas raparigas viajam na sua caravana e, enquanto param para admirar as vistas, encontram uma espécie de pinturas rupestres que poderão ter sido pintadas por ameríndios. Não ligando muito, continuam a sua aventura e param para dormir no local.

A mais assustadiça do grupo, Gretchen, vai dormir antes de todos para dentro da caravana. Na cena seguinte, ela acorda no meio do nada, rodeada de pó e há uma criatura a rodeá-la. O que acontecerá com os amigos dela e ela própria?

Uma espécie de “Terror nas Montanhas” misturado com “Jeepers Creepers” e “A Descida” no que toca à criatura e à história. Foi uma história bem curta, com uma boa história por trás que, acredito eu, se fosse filme seria alargada a história das pinturas nas rochas mas que ficou muito bem como uma curta-metragem para este filme.

No último segmento “Her Only Living Son“, realizado por Karyn Kusama, temos uma mãe cujo filho vai fazer 18 anos no dia seguinte e esta mostra-se preocupada com o seu futuro – considera que o filho age de maneira diferente, ao que o seu carteiro lhe diz que é completamente normal, até começar a agir como se ele quisesse que o filho dela se tornasse em algo (muito) mau. Andy (Kyle Allen) não conhece o pai e a mãe conta-lhe que ele prefere ser um famoso actor de Hollywood a querer saber de ambos, que nunca se preocupou com os dois e que não seria agora que se iria começar a preocupar.

Na noite anterior ao seu aniversário, a mãe encontra-o na casa de banho cheio de sangue mas não é perceptível o que aconteceu com o rapaz. Esta assustou-se com os barulhos em casa porque Kyle lhe disse que ia passar a noite fora com amigos. Na manhã seguinte, a sua mãe aparece a limpar todo o sangue que ficou no chão da casa de banho enquanto o filho saiu e lhe disse para não esperar por ele acordada. A mãe acaba por encontrar uma caixa debaixo da cama do rapaz e espreita mas, quando este chega inesperadamente a casa, esta esconde-se no roupeiro e vê o seu filho a fazer coisas estranhas nos pés.

Nota-se que o filho mudou e que o que o carteiro disse à mãe está a acontecer. Mas o que pode esta mãe fazer para salvar o filho?

Uma curta excepcional! Uma história intrigante, suga-nos para ela mesmo sem sabermos o que se passa. Naturalmente a mãe sabe o que aconteceu quando concebeu o filho e quando o teve e isso só nos é “entregue” no final. Kusama usou todo o terror que podia nesta história. Adorei e é uma daquelas curtas que devia tornar-se, pelo menos, numa longa-metragem de tão bom que é.

Antes de ver o filme li muitas coisas más acerca dele. Mas, em geral, está muito bem conseguido e recomendo a todos os amantes de terror que procuram algo diferente do que estão habituados a ver.

E só não gostei também das transições perturbadoras de bonecas de porcelana entre cada segmento – mas isso sou eu que não gosto de bonecas e de animações do género (sim, tenho medo!)

Classificação: 8/10
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